5 de Março de 2013 | Sobre Dicas, Londres
 

Hoje o assunto é muito interessante pra quem quer vir pra cá, seja pra turistar ou pra morar: a gigantesca rede de transporte de Londres. É até difícil começar a explicar, porque é bastante coisa!

Zones

A primeira coisa que alguém precisa entender antes de vir pra Londres é que ela funciona dividida por zonas a partir do centro da cidade. As zonas 1 e 2 são onde ficam (quase) todas as áreas turísticas. Algumas coisas importantes ficam na zona 3, inclusive a minha universidade.

A regra do transporte aqui é bem simples: quanto mais mudanças de zona você fizer, mais cara sua passagem. O sistema é inteligente e funciona bem, mas causa dúvidas em todo mundo: turistas, moradores e nativos.

Tickets/Oyster Card/Travelcard

A razão de tantas dúvidas são os tipos de tickets disponíveis por aqui. Além disso, quase todos tem valores diferentes, dependendo das zonas que você quiser. Muita atenção nessa hora! Basta pegar um mapa com as zonas e ver onde ficam os lugares que você pretende visitar. Suas opções são:

  • Single - Ida apenas no metrô, com valores diferentes dependendo das zonas. Zonas 1-3: £4.50
  • Return – Ida-volta apenas no metrô, com valores diferentes dependendo das zonas. Zonas 1-3: £8.00
  • Day Travelcard – Passe diário que pode ser usado em todos os meios de transporte (metrô + DLR + overground + ônibus + tram + trem). Valores diferentes dependendo das zonas. Zonas 1-3: £8.00
  • Oyster Card – Passe semanal, mensal e anual que pode ser usado em todos os meios de transporte (metrô + DLR + overground + ônibus + tram + trem). Valores diferentes dependendo das zonas. Zonas 1-3 (semanal): aprox £35
  • Oyster Card pay as you go – Cartão em que você coloca crédito e vai gastando conforme for viajando. Pode ser usado em todos os meios de transporte (metrô + DLR + overground + ônibus + tram + trem).
  • Como usar?

  • Nunca compre o single ou o return, a não ser que você realmente só vá fazer essas viagens. O preço não vale a pena. Peça logo um Day Travelcard!
  • Se você for turistar por uma semana ou duas e for usar os transportes exaustivamente, peça o Oyster Card semanal. Você vai economizar bastante.
  • Caso vá ficar um período muito longo (como eu!) ou apenas alguns dias, compre o Oyster Card pay as you go, porque com ele as tarifas caem pela metade do preço (um single vai de £4.50 pra £2.10).
  • DICA: Os estudantes podem fazer um Oyster Card com sua foto e um Railcard (que permite usar trens). Se você chegar num guichê e pedir pra combinar os dois, ganha mais 1/3 de desconto em qualquer meio de transporte.

    O Underground

    O metrô, ou “tube“, como é carinhosamente chamado aqui, constitui uma rede imensa de aprox. 300 estações que se espalham por Londres quase inteira. Ele liga todas as redes de transporte da cidade, tornando a vida de todos (e a minha) muito mais fáceis.

    A maior e mais importante linha do tube é a Central Line (vermelha). Ela corta todo o centro da cidade e é ligada na maioria das outras linhas, o que permite viagens mais rápidas e com menos trocas de linha.

    Se você é turista, provavelmente não vai sair da Piccadilly, da Central e, se você for mais aventureiro, da Northern. São as linhas que cortam os principais pontos da cidade.

    Boas dicas sobre o metrô: fique do lado direito da escada rolante; tenha seu ticket em mãos, pra não causar atrasos na fila; fique esperto com o sentido que você está indo, pra evitar se confundir; e sempre carregue um mapinha do metrô na bolsa (eles estão disponíveis em qualquer estação).

    Ônibus

    A rede de ônibus de Londres é ótima. Os ônibus são limpos, as passagens são mais baratas, eles nunca estão lotados, nunca atrasam e você ainda ganha uma vista incrível da cidade!

    Em todos os pontos tem uma lista de ônibus que passam ali – feita a partir de pontos de referência, então se você quer ir pro Buckingham Palace, é só procurar por ele na lista. Caso o seu ônibus não passe ali, não se preocupe! Tem também um mapa pra você achar o ponto mais próximo. Sim, é incrível desse jeito.

    Além de tudo, a rede funciona 24 horas. A partir da meia-noite, aparecem os “nightbus“, que seguem linhas especiais estratégicas pra catar todos que estavam em pubs, festas ou que quiseram prolongar a noite na cidade. Caso tenha dúvidas na hora de pegar o nightbus, vá pra Trafalgar square, porque lá passam praticamente todos.

    DLR

    O Docklands Light Rail, ou DLR, é uma rede relativamente nova que abastece a região próxima ao Tâmisa, do lado leste da cidade. É onde fica a minha universidade, a área olímpica e o London City Airport.

    Se você tiver tempo, vale a pena visitar Stratford (e o shopping Westfield) e West Ham (se você curte futebol, como eu).

    Overground

    O Overground é a rede mais nova da cidade, aberta em 2007. Ela é responsável pela área dos subúrbios da cidade, além de também abastecer regiões próximas (como Watford Junction, destino de quem vai pro Harry Potter Studio Tour).

    Alguns lugares interessantes dessa linha são: Shoreditch High Street, uma área do East London que tem muitos pubs e festas incríveis; Surrey Quays, que tem um shopping; e Sherperd’s Bush, onde fica o Sheperd’s Bush Empire, local de shows.

    Acho que é isso, gente! Qualquer dúvida, falem comigo no ask.fm. :)

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    13 de Fevereiro de 2013 | Sobre Londres
     

    Demorou, mas consegui transformar minha vida em Londres em realidade. Finalmente me sinto em casa! E isso significa… tirar um day off pra atualizar meu blog.

    Antes de tudo, mil desculpas pelo abandono! Essas duas semanas foram as mais loucas e ocupadas da minha vida. Mas juro que a partir de agora vou tentar atualizar o blog sempre, mesmo que seja pra falar de coisas mais corriqueiras.

    Pra começar, vou tentar resumir tudo que rolou comigo nesses dias. Não vou falar tanto dos lugares que eu visitei, porque pretendo fazer um post sobre cada um depois. Mas aquela turistada básica merece aparecer por aqui, né?

    Palácio de Buckingham

    Fui nos arredores do palácio num dia de sol. Já tinha ido lá em 2011, mas dessa vez levei minha câmera e passei mais tempo admirando a arquitetura e a majestade do lugar.

    Na lateral do palácio você encontra um pequeno museu (não paguem pra ir na exposição, é caro e não tem nada interessante). O mágico mesmo é a lojinha que tem lá, que só vende coisas da família real. Conjuntos de xícaras, chocolate, chaveiros, jóias, entre outros mil souvenirs!

    Parlamento/London Eye

    Outro lugar que eu já tinha visitado, mas que nunca é demais: a Westminster Bridge. De um lado o Big Ben/o Parlamento e do outro a London Eye!

    Kensington Gardens/Hyde Park

    Se tem algo na natureza de Londres que vale muito à pena são os parques e jardins espalhados pela cidade. Visitei o monumento à rainha Victoria, ao Albert e também o lago do Hyde Park (nas fotos abaixo, respectivamente).

    Wembley

    Além disso tudo (e de todas as coisas que eu não falei), fui ao amistoso Inglaterra x Brasil, em comemoração aos 150 anos do futebol por aqui. Apesar da nossa derrota, o jogo foi incrível!

    Wembley é gigante! Estava tão cheio de brasileiros do lado de fora, foi como voltar pro Maracanã. Tinha muita gente do CsF, a gente se esbarrou a noite toda! Aconselho todos que gostam de futebol a fazerem o tour que rola no estádio, já que outro jogo do Brasil vai demorar pra acontecer…

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    3 de Fevereiro de 2013 | Sobre Londres
     

    Então… cheguei. Demorei muito pra postar aqui, porque essas duas semanas foram uma grande loucura. Prometo que vou fazer posts específicos pra certos lugares que eu fui, mas antes queria falar um pouco sobre como está sendo tudo pra mim.

    Quando eu explico pras pessoas que morar aqui sempre foi um sonho, todo mundo deve pensar “óbvio, quem não gostaria de morar fora?”, mas pra mim sempre foi algo especial:

    Como fã de Harry Potter desde os 10 anos, tenho King’s Cross a um tube de distância. Tenho Leavesden bem ali pra ir de novo. Posso ir à Edimburgo, ver onde a J.K. Rowling sentava pra escrever. Se eu quiser um gostinho de Doctor Who, tenho Canary Wharf como vista ao descer do meu prédio. Sherlock Holmes? Tenho Baker Street pra visitar toda semana se eu quiser. Posso pegar um trem e ir pra Sheffield conhecer a história da minha banda favorita.

    Além disso, em uma semana, eu fui nas festas que mais tem a ver comigo, visitei os lugares que eu mais queria conhecer, comi e bebi coisas diferentes, me vesti muito melhor (por muito menos).

    A realidade de morar aqui, onde tudo acontece, onde todas as coisas que me construíram estão a um passo de distância, está batendo. Pode ser bobo pra muita gente, mas pra mim não tem preço.

    Se o sonho de vocês é o mesmo que o meu, sério, não deixem de vir pra cá.

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    23 de Janeiro de 2013 | Sobre Sem categoria
     

    Finalmente o contador me avisou que hoje é o grande dia – não que fosse preciso avisar. Senti vontade de escrever algumas palavras antes de embarcar pra maior aventura dos meus 21 anos de vida. Não sou muito boa com elas, mas lá vai minha tentativa:

    Me sinto como Harry Potter quando descobriu que era bruxo: “Não, o senhor se enganou. Sabe, eu não posso ser um, um bruxo. Eu, sou o Harry, só Harry.Eu sou a Lara, só Lara. Não mereço tudo que me aconteceu, não posso mesmo estar indo pra Londres com tudo pago, ter o ano mais incrível da minha vida.

    Esses últimos meses foram tão transformadores e tão incríveis. Impressionante como tudo passou rápido. Ontem eu estava me inscrevendo no CsF e juro que hoje mais cedo fiz o IELTS!

    Ao mesmo tempo, o processo pra chegar até aqui me mudou tanto. Dei mais carinho à minha família, pensando comigo que faltava pouco pra dizermos adeus. Recebi muito de volta. Sei que é bobeira minha sofrer com uma ausência tão breve… Por isso, sem lágrimas e sem despedidas, porque são só 365 dias!

    Vou voar. Vou viver algo que nunca planejei. Isso me assusta e tira meu ar, tamanha a ansiedade, mas tenho certeza que tudo vai valer a pena. No final, vai ser mais uma história pra contar e poder dizer, quotando a música da Beyoncé: “I was here. I lived. I loved.”

    Esqueçam o que eu falei sobre as lágrimas, elas já estão descendo. Mas é só agora, é só saudade antecipada. Saudade, essa palavra tão nossa, tão minha. Só ela explica o que sinto quando penso que vou passar um ano sem virar a noite com a minha irmã, sem ver televisão com o meu pai, sem dormir abraçadinha com a minha mãe, sem brincar com a minha cachorrinha.

    Só que vou ganhar tanto por esse sacrifício! Estou indo esquecer o que é rotina. Vou viver uma aventura por dia. Espero que isso signifique o mesmo pras pessoas que me amam. Histórias pra dividir comigo.

    Então é isso. Até o próximo post, que será direto da terra da Rainha! Que tudo seja tão maravilhoso quanto a minha imaginação me diz. E lembrem-se: “Second star to the right, and straight on till morning…”

    Pra animar, deixo a música da linda da Eliza Doolittle:

     

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    20 de Janeiro de 2013 | Sobre Amigos
     

    Ontem rolou a minha despedida… Resolvi fazer uma festa no play do prédio pros meus amigos e família. Foi muito bom pra matar a saudade de quem eu não via há tempos e pra me despedir das pessoas que torceram por mim.

    Como dá pra ver nas fotos abaixo, o tema foi a mistura de Brasil e Reino Unido. Fiz doces e pratos que representam cada lugar e decorei tudo com as cores das bandeiras, além das bandeirinhas em si! Curtiram o cardápio que eu criei pra mostrar as comidas da festa? :)

    Quase todos os meus amigos foram… Foi muito incrível passar um tempo com eles antes de embarcar. Muito obrigada a quem apareceu! Faltam só 3 dias pra minha viagem e eu não poderia estar mais feliz e ansiosa.

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    5 de Janeiro de 2013 | Sobre Música
     

    Fiz uma mixtape só com artistas que vieram do Reino Unido, inspirada na minha viagem (faltam só 18 dias!). Espero que curtam!

    01. The xx – Shelter
    02. Adele – Hometown Glory
    03. Alex Turner – Stuck on the Puzzle
    04. Lucy Rose – Night Bus
    05. Blur – Under The Westway
    06. Miles Kane – Colour of the Trap
    07. Oasis – Don’t Look Back in Anger
    08. Florence + the Machine – Between Two Lungs
    09. The Last Shadow Puppets – Meeting Place
    10. The Beatles – Here Comes the Sun
    11. The Vaccines – Wetsuit
    12. Eliza Doolittle – Pack Up
    13. Arctic Monkeys – Black Treacle
    14. The Kooks – Always Where I Need to Be
    15. Queen – Don’t Stop Me Now
    16. Klaxons – It’s Not Over Yet
    17. Friendly Fires – Paris
    18. Lily Allen – LDN
    19. Mark Ronson & Amy Winehouse – Valerie
    20. The Vaccines – Teenage Icon
    21. Kate Nash – Pumpkin Soup
    22. Two Door Cinema Club – Something Good Can Work
    23. Kaiser Chiefs – Oh My God
    24. The Libertines – Can’t Stand Me Now
    25. Arctic Monkeys – From the Ritz to the Rubble
    26. The Clash – London Calling

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    31 de Dezembro de 2012 | Sobre Ciência Sem Fronteiras
     

    Nos posts anteriores, eu falei sobre o que é o Ciência sem Fronteiras e dei dicas sobre como ir bem no IELTS. Hoje vou continuar a contar como foi o processo seletivo pra mim:
     

    O papel da sua universidade

    Para se inscrever no CsF, você preenche um formulário com vários dados seus e os documentos que citei no outro post. Mas não é só isso. Quem me dera se fosse! Você precisa passar por várias seleções até chegar no fim da estrada.

    A primeira delas é dentro da sua IE (Instituição de Ensino). No caso da UFRJ, por exemplo, foi feito um formulário no site da universidade, onde eu anexava mais uma penca de documentos e me inscrevia para a seleção interna.

    Mas por que isso?“, você me pergunta. A resposta é simples: quem vai avaliar seu desempenho acadêmico é o coordenador do seu curso e, posteriormente, o coordenador do CsF dentro da sua universidade. Isso é bom, na verdade, porque eles conhecem você melhor e sabem avaliar seu desempenho de forma mais justa.

    Após ser aprovado pela sua IE, você está mais próximo de chegar lá! O próximo passo é escolher pra onde você vai… É um grande déjà vu da pressão que sofremos em ano de vestibular.

    Como escolher uma universidade?

    Escolher um destino é um processo muito particular, mas que pode ser facilitado se você fizer uma lista das suas prioridades. Assim, é possível passar um ano longe de casa sem susto. As minhas prioridades eram: Cidade grande, porque eu ficaria deprimida no interior; Curso focado em novas mídias, porque eu não tive muito dessa área na UFRJ; Infraestrutura de primeira, porque nunca pude experimentar isso.

    Depois de definir o que eu queria, fui no site do Universities and Colleges Admissions Service (UCAS), onde nós temos que nos inscrever, dizendo quais faculdades queremos cursar e muitos outros detalhes. Lá eu achei as universidades que me deixaram empolgada (em ordem de preferência): University of East London, Anglia Ruskin University e University of Derby.

    Se inscrevendo no UCAS

    Escolhidas as universidades, é hora de se inscrever no UCAS. Tive um guia do próprio CsF pra me ajudar, o que me salvou! Não se preocupe. É algo extenso, mas bem mecânico também.

    A única parte criativa é o seu Personal Statement, que é basicamente uma carta explicando porque você merece ir estudar na sua universidade de destino. Você precisa mostrar que tem as skills necessárias e que é interessado em aprender.

    Você pode ver o meu clicando aqui!

    Quem espera sempre alcança

    E finalmente, só resta aguardar notícias. Você já fez tudo e não tem a menor ideia se será escolhido. Essa é a parte dolorosa. Mas também é muito bom quando os e-mails começam a chegar!

    Primeiro, o UUK pede seus documentos: Histórico em inglês (a tradução pode ser feita por qualquer pessoa, desde que não seja você) e o Certificado do IELTS/TOEFL. Depois disso (muito depois mesmo), você recebe a offer da universidade que te aceitou, de acordo com a sua ordem de escolha. Tive a sorte de ser escolhida pela minha primeira opção! E por último, o CNPq avisa que você foi contemplado com a bolsa.

    É realmente a melhor notícia do mundo, mas é só o início de tudo! Ainda é precisoatirar o visto, receber a grana inicial (e convertê-la para Libra), comprar passagens e pensar em tudo que precisa deixar pronto antes de embarcar para o intercâmbio. Mas o importante é que o sonho virou realidade! I’m going to fucking London!

    Espero que tenham curtido os posts sobre o CsF! A partir de agora, prometo que os assuntos serão mais diversificados e interessantes pra todos.

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    30 de Dezembro de 2012 | Sobre Ciência Sem Fronteiras
     

    Se você quer fazer intercâmbio de graduação no Reino Unido (e tirar visto de estudante), é preciso ter um certo nível de inglês comprovado através de um exame de proficiência. O mais conhecido e usado é o IELTS (International English Language Testing System). Você precisa tirar no mínimo 5.5 em cada banda (Speaking, Writing, Reading e Listening) – o máximo é 9.

    Fiquei sabendo que as pessoas faziam cursos preparatórios e tentavam várias vezes a prova pra poder passar. Meio desesperador, né? Eu tinha que passar de primeira pra tentar a bolsa do CsF, então era tudo ou nada. Apostei no tudo!

    Na minha cabeça, o IELTS era meu maior desafio. Foi muito bom conseguir passar e riscar mais esse item da minha lista. Aí vão algumas dicas pra você, que quer fazer essa prova (e os meus resultados):

    1. Espantar o medo

    O IELTS funciona parecido com um vestibular. São 4 provas específicas em cada “área” da língua inglesa. Você tem um tempo curto pra fazer cada prova e tem que ter total atenção. Nervosismo e ansiedade vão ser seus piores inimigos!

    2. Meter a cara nos estudos

    Estudar é a solução, mesmo se você tiver um bom nível de inglês. No meu caso, tive um mês e meio pra estudar pra prova, por causa dos prazos apertados do CsF. Evite isso. Estude por mais de 3 meses pra ter resultados bons, principalmente se nunca tiver feito curso ou prova de inglês (como eu).

    3. Estudar certo é a solução

    A prática leva à perfeição“, mas não adianta praticar do jeito errado. Como eu disse, o IELTS é uma prova estilo vestibular. Cheia de pegadinhas. O melhor jeito de estudar é reservando parte do seu tempo diário pra fazer provas que estão na internet. O próprio IELTS te manda um site cheio de simulados quando você confirma seus dados pra prova.

    Passei também a falar inglês sozinha e o tempo todo, pra treinar minha pronúncia. Além disso, vi muitos filmes em inglês sem legenda e ouvi muitas músicas lendo a letra do lado, pra treinar pronúncia/gírias. O melhor jeito é inserir o inglês no seu dia-a-dia, pra ser prazeroso e fixar melhor. Estude todos os dias!

    …………………………………………………

     

    Na semana da prova, eu fui avisada que o Speaking seria na véspera das outras bandas. Na hora eu achei péssimo, mas refletindo sobre isso depois, foi muito bom pra me cansar menos. Dividi os tópicos pelas provas, pra narrar bem como foi a experiência:

    Speaking

    O Speaking é um dos pesadelos dos estudantes. Aprender a falar com naturalidade e se comunicar como um nativo é talvez a parte mais difícil do inglês britânico. Tem toda a questão da pronúncia certa, das expressões típicas e de evitar aquele famoso “hm….” hesitante antes de terminar uma sentença.

    Cheguei no local da prova muito nervosa. Minha vontade era sair correndo, mas me segurei na cadeira até a hora em que fui chamada. Uma moça muito simpática entrou comigo em uma salinha e se apresentou (se você ouvir entrevistas do IELTS, vai ver que elas falam sempre as mesmas coisas nessa hora).

    O teste se divide em 3 partes (sendo a 2 e a 3 conectadas) e dura mais ou menos 15 minutos.

    Parte 1 – Falar sobre você

    Ela perguntou meu nome completo, conferiu meu documento e quis saber sobre o que eu estudava/no que trabalhava. Já tinha pensado no que dizer pra essa pergunta, enquanto treinava com simulados. Sério, treinem… é o melhor jeito de se preparar!

    Depois, falamos sobre tópicos diversos da vida (bem aleatórios). Meu brinquedo favorito na infância, o que gosto de fazer nas horas vagas, etc.

    Parte 2 – Falar sobre um tópico

    Essa era a parte que eu temia. O assunto foi música (ainda bem!) e isso me deixou muito tranquila. Conheço muito sobre música. Teve gente que falou sobre dinheiro e economia, coisas que iam ser bem mais complicadas. Tive que escolher uma banda brasileira e falar sobre ela de 1 a 2 minutos. Bem fácil!

    Parte 3 – Perguntas sobre o tópico

    Por último, ela perguntou coisas mais gerais sobre música. Por exemplo: o que eu mais gostava/desgostava em shows de música, como a música mudou com a tecnologia, etc… Também foi tranqüilo.

    Resultado: Tirei 8 de 9. Me falaram que é uma nota ótima, porque o speaking é bem exigente!

    Listening

    No dia seguinte, fui fazer as outras provas. Começamos pelo Listening. Foi totalmente diferente do dia anterior, em que fiz a prova sozinha… Fiquei numa sala cheia de candidatos ao CsF. Antes da prova, todos ficam tensos, mas assim que ela começa, é pura concentração. É até gostoso, porque você finalmente está ali.

    São 40 perguntas pra responder em meia hora. Você tem que responder as questões enquanto ouve o áudio e depois passa para um papel de respostas. Achei o som bem claro e fácil de entender. Os assuntos variam e é sempre uma conversa ou uma fala de alguém. Nada científico ou complicado. O importante é treinar os ouvidos e o tempo de reflexo, através de simulados.

    Tiveram 2 palavrinhas que eu não consegui identificar, por que estava ocupada escrevendo outra. Acontece. Mesmo assim, consegui responder a partir do que eu achava. Respondam qualquer coisa, mas não deixem em branco.

    Resultado: Tirei 8 de 9.

    Reading

    Assim que o Listening terminou, começamos o Reading. Também eram 40 perguntas pra responder em 60 minutos. Parece muito tempo, mas você precisa ler textos enormes pra conseguir achar as respostas e é muito subjetivo.

    Também usam temas comuns, muitas vezes universitários, mas também tem textos científicos sobre animais (no meu caso crocodilo) e sobre coisas que você conhece menos. Nunca responda sem interpretar bem o texto. Nada de bancar o esperto!

    Aconselho estudar muito pra essa prova, mesmo que você ache que lê bem em inglês. Não subestime o Reading. E treine muito pra ler bem rápido, porque você pisca e o tempo acaba. Consegui fazer toda a prova com tempo de sobra, ainda bem!

    Resultado: Tirei 8 de 9.

    Writing

    Por último veio o Writing, a única prova que eu não tive muito tempo pra estudar com simulados. Como não tinha como corrigir as minhas redações, só li bastante sobre o que era necessário na prova. Aprendi bastante vocabulário, gramática e etc, mas nada sobre gerenciamento de tempo. Meu conselho é que vocês façam diferente de mim e treinem escrever redações, mesmo que sem correção, pra conseguirem ganhar velocidade.

    Se tratam de 2 redações (Task 1 e Task 2) com mínimo de 150 e 250 palavras, respectivamente. Você tem 1 hora pra fazer tudo.

    A Task 1 é sempre um gráfico/diagrama pra você examinar e interpretar. Bem técnico. Precisa saber usar expressões pra explicar os gráficos e comparar resultados. Só estudar pela página que o IELTS te manda que você aprende!

    Na Task 2 você tem que fazer uma dissertação, geralmente usando a sua opinião sobre um assunto – desde a poluição dos carros até a vida universitária. É bom usar expressões e palavras que liguem parágrafos, além de ter uma gramática impecável. Também precisa ser bom em redação (lembram do vestibular?)!

    Meu conselho é: comecem pela Task 2, porque vale mais. Fiz isso e funcionou, de certa forma. Não terminei a Task 1 e saí achando que ia ser reprovada nessa banda. Paguei pelo fato de não ter treinado fazer a prova em si (tinha 60 minutos e isso é muito pouco tempo). Gastei 5 minutos só pensando em como começar, além de já estar extremamente cansada.

    Resultado: Tirei 6.5 de 9. Esperava não tirar nem 5.5, afinal, eu não completei uma das redações e isso é uma regra bem séria. Devo ter ido muito bem na outra!

    No fim das contas, me dei super bem com o tão temido IELTS. Tirei uma média considerada muito boa por todo mundo (7.5 de 9) e com certeza esse desafio ficou pra trás -  tirando o fato de que ele só é válido por 2 anos!

    No próximo post, a continuação do processo seletivo do CsF! :)

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    30 de Dezembro de 2012 | Sobre Ciência Sem Fronteiras
     

    No primeiro post do blog, eu falei um pouquinho sobre o meu intercâmbio – que vai começar em janeiro – pelo Ciência Sem Fronteiras. Muita gente me pergunta como eu consegui, então decidi começar a explicar como foi a minha experiência (dividi em alguns posts):
     

    O que é esse tal Ciência Sem Fronteiras?

    O CsF é um programa do Governo Federal (alô Dilma!) pra “promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional“.

    Isso significa, em termos práticos: enviar estudantes de universidades brasileiras para o exterior (graduação e pós-graduação), com o objetivo de que estes alunos tenham contato com sistemas educacionais que irão trazer um diferencial para a sua formação e para o mercado brasileiro, melhorando os campos da tecnologia e inovação no país.

    O interessante do CsF, em comparação a outros intercâmbios universitários que já existem no Brasil, é o fato do estudante selecionado se tornar bolsista dos órgãos de fomento (CNPq e CAPES), o que possibilita que todos os seus custos sejam pagos pelo próprio governo. Isso torna realidade o sonho de muitos que, como eu, nunca poderiam fazer intercâmbio do seu próprio bolso.

    O aluno cursa dois semestres na universidade de destino e um estágio/pesquisa em algum momento da bolsa. Isso possibilita não só conhecer o meio acadêmico, mas também seu mercado de trabalho.

    Pra participar, antes de tudo, você precisa saber se seu curso está em uma área prioritária do programa. Não precisa ser universidade pública, qualquer aluno é elegível (qualquer coisa, fale com a sua faculdade). Depois, você precisa ter proficiência na língua do seu país de destino, comprovada por um exame. Portugal – por razões óbvias – é o único país isento dessa necessidade.

    O dia em que tudo mudou

    Como eu já cansei de falar, sempre quis ter a experiência de morar por um tempo no Reino Unido. Depois da minha curta visita em 2011, não parava de pensar em formas de conseguir realizar esse sonho. Até que a oportunidade apareceu.

    Não me lembro exatamente quem me falou primeiro, mas no mesmo dia três pessoas me contaram sobre as inscrições para o CsF. Eu já conhecia o programa, mas achava impossível passar. Pensava que não era boa aluna o suficiente (principalmente por causa do teste de inglês).

    Mas naquele dia tudo estava diferente na minha cabeça. Tive um ataque de ousadia! Pensei: “Quer saber? Se eu não tentar, nunca vou saber se tenho chances!“. Resolvi ler com atenção a chamada do Reino Unido. O que eu poderia perder, certo?

    Depois de ler tudo, percebi que era complicado mesmo, mas que era possível. Eu tinha que correr, muita gente já vinha planejando participar há meses e já estava em cima da hora. Mas agora eu queria e pronto!

    O próximo passo era juntar todos os documentos que precisavam ser enviados junto com o formulário de inscrição (Histórico de Graduação e Certificado do teste de proficiência em língua inglesa). O primeiro era fácil, só pedir na secretaria da sua faculdade. Já o segundo…

    Pra começar, eu tinha que escolher entre os temidos testes IELTS e TOEFL e precisava conseguir uma data pra fazer a prova. Só tinha um mês e meio pra ter o certificado em mãos – ou então perderia o edital.

    Descobri que só havia vagas disponíveis em São Paulo e teria que gastar a bagatela de R$440 (preço da prova) + passagens pra lá. Era o meu fim. Entretanto, milagres acontecem e dias depois de reservar a data em São Paulo, achei uma vaga aqui no Rio (13 dias antes da data limite, sendo que o resultado demora exatos 13 dias pra sair – olha a corda no meu pescoço).

    Depois que paguei os R$440 do exame, pensei comigo mesma: “Agora é oficial: quero estudar no Reino Unido em 2013!

    Curtiram as dicas? Então fiquem por aqui… O próximo post será sobre o IELTS! Dúvidas? Eu respondo no meu ask.fm!

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    30 de Dezembro de 2012 | Sobre Ciência Sem Fronteiras
     

    Nunca sei como começar textos assim, de introdução. Até porque, na minha vida, nunca sei quando as coisas começam realmente. Tudo é meio atropelado. Pisco e de repente… já comecei. Acho que é como quando dizem que o bom da vida não são nossos objetivos, mas os meios. Eu gosto dos meios.

    Posso dizer a mesma coisa desse blog. O que importa não é este post, ele é apenas o início de uma jornada que (espero) seja melhor que palavras vazias sobre sonhos que ainda vão acontecer.

    Como acho que vocês já devem saber, meu nome é Lara. Moro há muitos anos no Rio de Janeiro e nunca pensei em abandonar essa cidade, mas sempre tive no fundo da mente um lugar onde eu queria passar muito tempo da minha vida… esse lugar é o Reino Unido.

    Pra começar, muitas das coisas que eu amo são de lá. Muitas mesmo. Bandas, filmes, livros, exemplos de vida. Além disso, Londres é uma das capitais mundiais do Design. Quero experimentar outras coisas, outras formas de viver. E depois de conhecer o Reino Unido, percebi que a qualidade de vida de seus habitantes é bem diferente do que estamos acostumados. Quero viver isso.

    Estudo Comunicação Visual Design na UFRJ, estou no 6º período e fui selecionada pelo Ciência sem Fronteiras pra estudar Interactive Media Design na University of East London, em Londres, através de uma bolsa de graduação-sanduíche de 1 ano.

    Mal posso expressar o quanto isso significou pra mim. Sou apaixonada por Londres, uma cidade cosmopolita, aberta a novas pessoas, que tem uma ótima qualidade de vida e abriga muitos dos meus sonhos.

    Queria aproveitar e agradecer a todos os envolvidos nisso tudo: Deus, que me guiou, mesmo que por caminhos tortos, até o meu destino maravilhoso; minha família, que é tudo pra mim e mora no meu coração; meus amigos, que torceram por mim (e aos novos que fiz/farei ao entrar nessa jornada); e a nossa presidenta maravilhosa Dilma, que começou com isso tudo e possibilitou que muitos estudantes pudessem realizar esse sonho.

    Se você está se perguntando como isso tudo aconteceu, aguarde os próximos posts, porque a história é looooonga. Juro que vou ajudar todo mundo que precisar. Nos próximos posts, vou explicar como é o processo seletivo, o IELTS e tudo que aconteceu comigo pra chegar até aqui.

    Em breve, vou fazer alguns vídeos também! É isso, até a próxima! :)

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    Lara em Londres © 2013 | Por Lara Mendonça |  online